Este provavelmente é mais 1 dos diversos textos de fim de ano – e nem por isso ele deveria deixar de ser escrito.

Em redes sociais é bastante comum e natural somente o viés de sucesso e histórias apropriadas para acalentar os mais diversos sentimentos existentes. Até agora isso são afirmações óbvias – aqui começa o erro, óbvio para o autor, no caso eu.

A grande questão aqui é: sempre ao publicar algo, seja uma história de sucesso, fracasso, pontos de inflexão, etc, bem escritos, ou não, dirão muito sobre o autor. Porém, no quesito interpretação, ainda mais sobre o leitor. A voz, aí, na sua mente, lendo, por um momento me permite influenciar em seus pensamentos. Este o ponto, seus, não meus. Os mesmos possíveis pontos em que uma pessoa poderia, durante um exercício mental, presumir julgamentos e deixar de executar algo.

Trazendo toda essa linha de pensamento para as mais diversas situações, as seguintes reflexões são dadas:

– Algo feito pela massa, nem sempre estará errado. Em grande parte do momento pode ser a melhor opção disponível. É mais sobre o momento do que o movimento propriamente dito. Ir contra, somente por ser contrário, certamente estará tão errado quanto seguir o fluxo irracionalmente – na hora de assumir os resultados eles serão seus, seja ele bom ou ruim, no fluxo ou contrafluxo. Sigo eu aqui, a exemplo, neste fluxo do “textão de boas festas”, rs.

– As celebrações e compartilhamento de sucesso são, sim, excelentes maneiras de demonstrar conquistas. A motivação do ponto de vista do autor (ostentação? Real anseio de compartilhar?) diz muito sobre autor, ainda mais sobre o leitor, esse último podendo absorver como uma afronta, tanto quanto um exemplo de possibilidades entre as tantas possíveis. Sim, o maior peso estará na maneira em que você interpreta, e não tanto no que de fato me motiva – pra você, leitor, pouco importa minha motivação, em geral. Pode ser mais um texto, somente.

– O “óbvio” é tão subjetivo quanto “bom e ruim”. O exercício de considerar muitas coisas óbvias pode ser uma leve tendência ao egoísmo, até porque se eu acho algo óbvio, nada mais preciso aprender. Nem mesmo a interpretação desse texto, um tanto quanto, possa parecer em parte, óbvia para mim, não é para ninguém mais – aqui seria pior, pois posso passar a pensar “saber mais do que alguém”. No conjunto, sempre há perspectivas diferentes para mesmos problemas, ou mesmo que tão objetivas quanto a matemática, aplicações e abordagens diferentes para resultados iguais – quanto tempo demorou? Qual caneta usou? Papel? Computador? Cola?

A mensagem que quis passar aqui é, seja como for, é essencial o exercício do autoconhecimento. Investir, o tempo possível, em conhecer o “eu” a que somos obrigados a conviver desde sempre. Nossas distorções e percepções normalmente falam muito mais de nós do que do outro. Aceitar a discordância é o que também nos faz evoluir – sempre evoluímos mais no caos do que na paz, isso também não torna o caos algo bom 😁.

Boas festas!